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Pais de Zé do Pipo revelam todos os pormenores sobre o desaparecimento do filho

Foi no dia 5 de novembro de 2018 que Nuno Batista, conhecido como Zé do Pipo, desapareceu. Depois de a sua viatura ter sido encontrada em Peniche, perto do Portinho da Areia, a família já não tem muitas esperanças de reencontrar Nuno Baptista.

Os pais de Zé do Pipo revelaram numa entrevista ao Manuel Luís Goucha, que já não têm nenhuma esperança de encontrar o filho. “derivado à doença que ele tinha, à bipolaridade muito avançada, derivado a certas coisas que ele recorreu para ver as marés, chegou a dizer ao psiquiatra que faria o que nós temos no pensamento”, revelou o pai do artista.

Rosa e Carlos contam que a decisão pode ter sido tomada devido a uma doença que o «perseguia»: a bipolaridade. «[O Nuno] chegou a dizer à mulher, que se um dia fizesse algo, que o perdoasse. Começou por dizer directamente à família que não sentia nada pela vida», relatam. Os pais tentaram tudo para proteger o filho da doença… «Nós fomos reagindo. Não o deixávamos sair de casa, conduzir e, dentro do possível, fomos resguardando e dando-lhe a assistência médica que ele precisava.»

Os pais admitem mesmo que uma semana antes de desaparecer, Nuno Batista tentou mostrar à família que estava a melhorar. «Ele foi um grande ator. Mostrava que estava a melhorar. Ele premeditou para que ao pequeno espaço que nós lhe déssemos fazer o que nós estamos a pensar», explica Carlos «No dia 1 de novembro, no Dia de Todos os Santos, ele disse à mulher que ia dar uma volta de bicicleta e deslocou-se até Peniche.» Na altura, foi até ao sítio onde viria a ser encontrado o carro.

Nesse mesmo dia atendeu o telefone aos pais, coisa que nunca o fazia… «Ele atendeu o telefone, coisa que não fazia há muito tempo. Ele vi o telefone e não atendia. Ficava ali estático a olhar para o telefone e não atendia. Não tinha ação para ir atender o telefone e nesse dia atendeu», explicam.

Uma conversa enganadora que deixou os pais mais tranquilos. «’Então filho estás melhor?’ E ele: ‘Estou agora a arrumar a bicicleta, fui até ao Baleal. E a mãe disse-lhe: ‘Ai filho tão bom, olha que isso é muito bom fazes ginástica’.»

Nesta conversa, o pai também lhe perguntou se não tinha dores, porque era algo de que se queixa muitas vezes. Ao que Nuno lhe respondeu: «Não pai, estou ótimo».

Os sintomas começaram em 2016, na mesma altura do ano, Nuno Batista já tinha tido surtos psicóticos. «Antes nunca tinha tido nada», dizem. O artista era acompanhado por um psiquiatra que tinha sido aconselhado à família que o obrigou a uma paragem de quatro meses. «Nesse momento esteve quatro meses parado e depois, em 2017, já estava a trabalhar novamente. Deixou por completo a medicação nessa altura, por auto recriação dele. Porque se sentia muito bem.»

A mãe ainda tentou fazer com que não abandonasse assim a medicação e disse-lhe: «Filho, não faças isso porque tens de fazer o desmame». Mas Nuno Batista nem quis dar ouvidos aos conselhos da Mãe. «Mãe, eu sinto-me bem, por que é que eu vou tomar mais medicação? Eu sinto-me tão bem», responde a Rosa no início de 2017.

Em 2018 as coisas voltaram a piorar e voltou a necessitar de tratamento. “O psiquiatra quis dar uma medicação que lhe permitisse fazer os espectáculos, que tinha muitos para fazer até Dezembro, praticamente. Eram quase todos os dias” contam os pais.

Segundo os pais, o facto do psiquiatra ter dito que era incompatível com a medicação terá sido o que ditou o fim. “Tudo leva a crer que sim. Foi nessa altura que ele caiu mesmo na solidão. Era um boneco! (…) A vida deixou de fazer sentido para ele.”

“No dia em que a mulher dele me ligou a dizer que o Nuno estava desaparecido… O Nuno saiu de casa às 14:30 da tarde de dia 5 de novembro a dizer que ia ao banco e à farmácia… Foi ao banco mas não foi à farmácia. Disse que ia num instante ao banco(…) e a partir dai meteu-se a noite e a minha nora telefonou para a polícia de Óbidos e ligou-me também a dizer que ele estava desaparecido. Saí da fábrica e corri toda a costa, já temendo o pior. Estive no sítio onde nós pensamos que foi o caso, nessa praia do Portinho da Areia, a essa hora não estava lá o carro, tinha o telemóvel desligado…”

“Foi para o sítio onde o ensinei a nadar” contou a mãe em lágrimas, “foi onde ele quis ir, para onde eu o ensinei a nadar.” .

Os pais de Zé do Pipo acreditam apenas no pior desfecho, que o filho terá decidido, devido à sua doença, acabar com a sua própria vida.

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